1/03/2004

Espírito Forte

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O trabalho enobrece mesmo. Mas tem que ser trabalho pesado, desses que acabam com o coeficiente de elasticidade dos músculos, quebram as dez unhas das mãos e deixam suas pernas parecendo elenco de Hollywood, ou seja, cheio de Emma Thompsons. Não contente em arrastar os móveis, carreguei as bicicletas enferrujadas e pendurei-as na parede, do lado de fora de casa. Não cheguei ainda a ficar com o sangue azul mas já estou cheia de batidas roxas. É um começo.

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Passei momentos maravilhosos lendo os comentários deixados pelos queridos leitores, especialmente os que foram deixados nos posts sobre as formigas e a arrumação da casa. Não sei se é o horário mas das duas uma, ou as formigas não aprovaram as mudanças e foram pra vizinha ou elas estão acompanhando a novela. Foram-se todas. De qualquer forma vou tentar todos os truques sugeridos. Temo que amanhã verei formigas de costas, segurando a barriguinha de tanto rir de todas as iscas que estou pensando em preparar.

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Não aguento mais ver matérias nos jornais da globo falando sobre dieta. É tanto recomendação para emagrecer, tantas reportagens sobre qualidade de vida que minha paranóia já fica toda musculosa: quando o exercício é demais, até o santo daime desconfia. Por que a Globo quer tanto que todo mundo fique magro, lindo, saudável e viva muito? Será que os telespectadores estão morrendo e comprometendo a audiência? A família abriu um SPA? Ou será que é porque a próxima novela da concorrência vai tratar das soluções cirúrgicas numa clínica à lá Santé? Só sei que estou com o saco gordo de tanto ver matéria sobre o mesmo tema. Me deixa tão irritada que abre o meu apetite.


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Recebi dois emails que me deixaram muito feliz. Um, do Guilherme Quandt, sobre quem falei em algum post recente. Ele respondeu gentilmente e disse que já se viu na situação em que eu me encontrava. Ele próprio já ficou encantado com o texto de alguém na web e mandou um email elogiando. Como eu, Guilherme tem vergonha de receber elogios. A outra mensagem é do Misael Henrique, que conheci na TV Cultura há muitos anos. Misael casou, tem um filhinho lindo e me reencontrou no blog. Vai virar querido leitor. A internet e seus longos fios consegue laçar as pessoas e reatar os laços, aqueles laços que se fecham e viram ... nós.

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Quase não li hoje e, ontem, li pouco também. Acho que o trabalho doméstico vicia. Mas acho que muito é influencia do livro Sob o sol da Toscana. A autora, Frances Meyes, trabalha duro. Ela e seu marido fizeram boa parte do trabalho braçal de recuperar a mansão, sem contar tudo o que fazem no jardim e na cozinha. A tese do bom exemplo é velha, mas funciona. Por causa dela, comecei a arrumar a casa, lavar tudo, procurar receitas novas para cozinhar. Estou com uma vontade irresistível de fazer ravioli caseiro. O problema, você já sabe, é que massa engorda. Depois vou ter que acabar passando um fim de semana no spa do roberto marinho!

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Acabei de ver duas formigas na parede. Ao se cruzarem, tocaram as antenas e trocaram informações. Tenho quase certeza que comentaram a mudança que fiz na sala. Se alguém criticar meu trabalho duro juro que esmago-as uma a uma.

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